segunda-feira, 26 de março de 2018

Grow...

You don't stop laughing because you grow old. You grow old because you stop laughing.


quarta-feira, 21 de março de 2018

21 de Março - Dia da Poesia

Não Posso Adiar o Amor


Não posso adiar o amor para outro século 
não posso 
ainda que o grito sufoque na garganta 
ainda que o ódio estale e crepite e arda 
sob montanhas cinzentas 
e montanhas cinzentas 

Não posso adiar este abraço 
que é uma arma de dois gumes 
amor e ódio 

Não posso adiar 
ainda que a noite pese séculos sobre as costas 
e a aurora indecisa demore 
não posso adiar para outro século a minha vida 
nem o rneu amor 
nem o meu grito de libertação 

Não posso adiar o coração 


António Ramos Rosa, in "Viagem Através de uma Nebulosa" 


                                                                                  O Beijo (Klimt, 1908)

Um lugar que só Nós conhecemos...




segunda-feira, 12 de março de 2018

Memórias do que já esqueci



Passamos grande parte do nosso tempo a evocar informações e vivências que fomos armazenando na nossa memória. A memória, sistema ativo que recebe, armazena, organiza, modifica e recupera a informação no ser humano está intimamente relacionada com o processo de aprendizagem, estabelecendo com o mesmo uma relação de complementaridade. Não há aprendizagem sem memória.

É igualmente comum associar no mesmo raciocínio dimensões tão distintas como o passado, o presente e o futuro. É quase unânime que de pouco vale falar de futuro, se não existir consciência do passado. De pouco adianta olhar em frente se não existir referência do que ficou para trás. Ter consciência do caminho feito é, por isso mesmo, fundamental para perceber por onde se quer caminhar.

As memórias que melhor preservo e que muito contribuem para o que sou, levam-me a Ponte de Lima…às férias de Verão que tardavam a chegar e se consumiam num ápice, às Feiras Novas do meu encanto, à alegria que era reencontrar os “meus” e à emoção que era deixá-los. Lembro-me com uma nitidez incomum das lágrimas que caiam pela face da minha avó Dolores em cada despedida. Lembro-me… Mas…e quando o passado nos escapa entre os dedos?...e quando deixamos de controlar os “ontens” e os “amanhãs” são pautados pela incerteza? Responder assertivamente a estas perguntas é, talvez, um dos maiores desafios que nos podem colocar e as respostas que eventualmente consigamos proferir deitam por terra todo e qualquer dogma preconcebido. O que aparentemente nos foi apresentado como inabalável, perde segurança…e também perde segurança o “amanhã”, dado que o “ontem” deixou de o alicerçar.

Lembro-me…a memória raramente me atraiçoa. Mas a minha avó Dolores já não se lembra. Já não se lembra do quão comoventes eram as nossas despedidas, de me ensinar a dançar a Rosinha e de como foi determinante para mim. Já não se lembra. Os seus “ontens” são inexistentes. Perante a suposta imprescindibilidade de precisarmos de “ontens” para alavancarmos “amanhãs” questionarão: Então, para que vive? Vive para cada dia. Vive o presente. E o facto de ter esquecido o que viveu não retira qualquer importância ao caminho trilhado…porque o seu passado continuará a ser evocado por todos aqueles que, em algum momento, fizeram parte dele.





(Em memória da minha avó Dolores que nos deixou em Novembro de 2016)

terça-feira, 6 de março de 2018

What if I fly?...

Procurei no meu íntimo mais profundo uma razão para não te amar. Usei o silêncio para me ouvir. 1001 gritos couberam no meu silêncio.Virei do avesso a alma. Revirei memórias. Gritei desesperada à procura de respostas...encontrei mais perguntas.

Quis encontrar razões para não lutar. Quis desistir. Quase desfaleci. Deixei-me cair no chão. As lágrimas correram pela minha face. Solucei. Tive medo. O céu olhou-me enternecido.

Passara demasiado tempo sem estar a teu lado. Todo o tempo que vivera sem ti fora vazio, cinzento, apático.

Quando achava que não teria força, ela apareceu. Quando achava que não conseguiria derrubar as 1001 barreiras que nos separam, a primeira caiu. Quando achava que iria ficar orfã do medo, a coragem ergueu-me. E uma voz, vinda não sei de onde segredou-me ao ouvido:."..existir não é viver!" Confiei nela e dei um passo em frente. Deparei-me com um abismo.

O que fazer diante do precipício? Recuar. Saltar. Esperar. Recuar. Saltar. Esperar. Recuar! Saltar! Esperar!

Mas...e se cair? Mas...e se voar? 



Gabriel García Márquez faria hoje 91 anos